Monday, August 28, 2006

Prato ‘Sem Calcinha’ está fora do cardápio

Esta é uma história, no mínimo, curiosa. Mas antes de continuar este relato, preciso explicar uma coisa. Aqui no Japão há um prato muito popular chamado “shabu shabu”. Nada mais, nada menos, é um prato com arroz acompanhado de fatias bem finas de carnes (tão finas que são quase transparentes) que são mergulhadas rapidamente numa tigela de água fervente e depois degustadas com molho.

Pois bem, alguns anos atrás alguns restaurantes ganharam notoriedade ao instituírem um prato chamado “no-pan shabu shabu” (no-pan é abreviatura para “no-panty”, expressão inglesa para “sem calcinha”). Mas, em que consiste um shabu shabu sem calcinha?Os restaurantes trabalhavam com um sistema simples. Os clientes pagavam uma taxa única de 19.980 ienes. Por essa quantia, eles tinham o direito a uma refeição shabu shabu e bebida à vontade. Por uma gorjeta de 5.000 ienes, uma das garçonetes mais novas do restaurante se levantava para pegar uma garrafa de uísque guardada num compartimento que ficava quase no teto. Quando ela fazia isso, os clientes podiam dar uma olhadela por debaixo de uma ultra-curta minissaia que cobria seu corpo nu. Para se certificarem de que ninguém perdia qualquer coisa, os donos de tais estabelecimentos colocavam um ventilador no chão, e assim que a garçonete levantava o braço para pegar a garrafa, uma golfada de vento era jogada por baixo dela, levantando sua saia até o céu bem no estilo Marilyn Monroe.Por uma gorjeta adicional de valor não especificado, a garçonete cobria a parte de baixo do seu corpo com um pano acolchoado. Dava-se então para o cliente uma lanterninha com a qual ele ficava procurando a minissaia da garçonete sob o acolchoado.

Mas os extravagantes restaurantes com garçonetes sem calcinha caíram em desgraça depois que um escândalo envolvendo funcionários corruptos do Ministério das Finanças veio à tona. Descobriu-se que os tais funcionários estavam freqüentando e fazendo festinhas nesses restaurantes, pagando depois a conta com o dinheiro suado dos contribuintes. Assim que o escândalo estourou, os burocratas voltaram para as suas mesas com o rabo entre as pernas e a imagem manchada. Acredita-se que o motivo que levava os funcionários do ministério em questão a freqüentar tais estabelecimentos era um só: eles estavam cansados de fazer festas em clubes de alta classe ou em restaurantes japoneses exclusivos.

Um restaurante chamado Roran, que ficava no distrito de Kabukicho, fez muito sucesso na época com tal sistema. Era um restaurante só para membros, mas que chegou a ter mais de 15 mil deles registrados em seus livros. Doutores e figurões do Ministério das Finanças, em particular, curtiam muito o lugar, que tinha câmeras de vídeo embutidas nas mesas e que focalizavam por entre as pernas das garçonetes. Assim, entre uma refeição e outra, dava-se uma olhada na câmera, o que era surpresa atrás de surpresa a cada bocado ingerido.

O Roran caiu em desgraça em janeiro de 1998 depois que promotores públicos deram uma batida policial no estabelecimento em conexão com o escândalo do Ministério das Finanças. Sua queda veio quando seu proprietário e várias garçonetes foram presas por atentado ao pudor. Um ano depois dos escândalos, o proprietário reabriu o Roran no mesmo lugar. Depois de alguns meses, foi ficando cheio de clientes, mas agora é fácil entrar lá. A maioria dos seus clientes são agora funcionários de empresas comuns ou chefes de pequenas companhias. Não se vê mais os burocratas do governo. Ah, e todas as garçonetes agora usam calcinha.

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